Não seria exagero afirmar que o Pioneer é o formato mais controverso da história de Magic: The Gathering. Nascido do nada, ele passou por uma série de mudanças muito bruscas ou a ausência delas em um espaço de tempo confuso - das banlists semanais até a pandemia, dos oito meses em que seu Metagame foi dominado por três combos e que culminaram no banimento de Inverter of Truth, Walking Ballista e Underworld Breach, passando por um ano onde o formato parecia virtualmente morto e ganhando notoriedade no ano seguinte com as temporadas de RCQs, essas também profanadas posteriormente por um cenário competitivo oprimido por cards como Vein Ripper + Sorin, Imperious Bloodlord e Amalia Benavides Aguirre + Wildgrowth Walker.
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Se um dia o Pioneer não existir mais, ele será nomeado como o formato que falhou e muitos tentarão apontar os motivos da sua falha. Mas não existe apenas um motivo: ele falha pelo seu entorno e circunstâncias - muitas delas referentes às ações da Wizards of the Coast perante sua gestão e o lançamento de novos produtos.
Também podemos apontar outros fatores: o formato não gera tanta receita quanto outros, sua base de jogadores é notoriamente mais frágil e menos engajada do que o Modern e podemos até apontar dedos para criadores de conteúdo e jogadores profissionais de criticarem e reclamarem constantemente do formato; algumas vezes com razão e outras só por hate gratuito.
O fato é que, sem suporte competitivo para 2025, o Pioneer se torna um formato impopular. Não há motivos para jogá-lo, não há suporte e muito menos um teor que o torne mais atrativo que o Modern (uma pool de cards extensa com diversidade de estratégias) ou o Pauper (um formato acessível em que você não precisa gastar muito dinheiro) e nem o Standard (um formato mais equilibrado que, agora, rotaciona mais devagar). Para fins práticos, ele está agora para o que o Extended foi um dia.
O clima de “enterro” não deve permanecer por muito tempo, mas compartilho neste artigo minha percepção dos eventos que culminaram na decisão de não incluir o Pioneer como formato de RCs e RCQs no próximo ano e, consequentemente, como isso pode mudá-lo para sempre ou até o matar como modalidade competitiva.
O Pioneer deu errado em 2020
Desde o seu anúncio, o Pioneer foi um formato estranho: ele atendia a uma demanda que, tecnicamente, não existia, mas que animou diversos jogadores pela possibilidade de jogar com staples do Standard passado que lhes agradava. O conceito de um “formato eterno sem Fetch Lands” também era atrativo e, nas primeiras semanas com atualizações de banlist recorrentes, o formato se tornou uma corrida entre “quem conseguia montar o deck mais quebrado primeiro”.
Com o tempo, o Metagame se estabilizou e começamos a ter os sinais de um formato estável e diverso - bastou um lançamento para tudo mudar: Theros Beyond Death trouxe Thassa’s Oracle, Heliod, Sun-Crowned e Underworld Breach - esses três, somados com uma pandemia global, foram o cerne de onde o Pioneer deu errado.

Não é exagero afirmar que a pandemia mudou a maneira como consumimos Magic: Commander explodiu, MTGArena se solidificou como plataforma competitiva, diversos torneios independentes on-line surgiram, e todos os formatos - sem exceção - enfrentaram o desafio de manter sua base de jogadores dedicada perante um momento onde jogos presenciais não eram possíveis.
Pioneer nunca teve essa base sólida de jogadores porque o formato era jovem demais antes da pandemia e não teve espaço para criar raízes no Magic competitivo. O Modern, por exemplo, tem uma base de jogadores construída desde 2011 e de pessoas dedicadas ao formato de maneira que o seu irmão mais novo nunca terá - em maioria, quando Modern Horizons 2 saiu no meio da pandemia, esses correram para pegarem seus Ragavans, Elementais, e quaisquer outros cards que eles precisassem para se manterem atualizados apesar da ausência de jogos presenciais. Sim, reclamando todos os dias do power creep de MH, mas ainda comprando cards para atualizarem seus decks.
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No outro lado, o formato mais novo passou quase oito meses preso em um Metagame onde os três melhores decks do formato eram combos lançados na edição mais recente pré-pandemia e sem quaisquer sinais de diversidade. Quem jogava de qualquer um deles pré-lockdown perdeu suas staples e quem tinha outras listas não se interessou em manter-se atualizado do formato quando não havia jogos presenciais nele e quando o Metagame dos Challenges - única fonte de informações sobre o cenário competitivo do Pioneer na época - mostrava sempre um ambiente polarizado em torno de alguns poucos decks.
Com um histórico mais incisivo de banimentos da Wizards com o Standard e que, ocasionalmente, também vinham com mudanças para o formato eterno mais jovem (Balustrade Spy e Undercity Informer são exemplos), ninguém se sentia seguro de investir no Pioneer durante a pandemia, principalmente quando não sabíamos em que momento ele teria relevância de novo, ou se ele sequer teria um futuro.
Pioneer vive quase perpetuamente em Metagames pouco saudáveis
Pós-lockdown, é mais fácil contar a quantidade de vezes em que o Metagame do Pioneer esteve polarizado do que os momentos onde seu ambiente era saudável. Os primeiros torneios presenciais de Pioneer que joguei pós-vacinação já vinham com um claro melhor deck: Izzet Phoenix, que eventualmente levou ao banimento de Expressive Iteration.

Tempos depois, Winota, Joiner of Forces encontrou em Innistrad: Midnight Hunt e Innistrad: Crimson Vow os cards necessários para quebrar o formato - mais especificamente, a combinação entre Tovolar’s Huntmaster com Blade Historian e uma dúzia de outros humanos lançados com ETBs eficientes, como Brutal Cathar. Novamente, outro Metagame polarizado em torno de um deck vs. outros arquétipos que tinham alguma chance de ganhar dela.

Alguns meses passaram e Winota foi banida. O Metagame estava a salvo de novo - exceto que não estava: nos confins de um ambiente visualmente diverso, o Pioneer contava basicamente com três melhores arquétipos: Izzet Phoenix, Rakdos Midrange e Mono Green Devotion. Sim, havia espaço para outros decks, mas havia também a percepção que esses três estavam muito a frente do resto do formato.
Foi necessário aparecer outro deck quebrado - Four-Color Discover - para fazer a Wizards olhar novamente para o Pioneer e perceber que havia algo errado ali além do óbvio agressor do Metagame da época. O resultado foi o banimento de Geological Appraiser pela velocidade com qual sua mecânica vencia jogos e também do banimento de Karn, the Great Creator pela facilidade de acesso ao toolbox que ele oferecia.

Mas os jogadores sequer tiveram a oportunidade de aproveitar um Metagame diferente por muito tempo: Amalia Benavides Aguirre já havia começado a crescer e afastar todos os Aggros do Metagame competitivo pela sua capacidade de ganhar absurdos de vida em pouco tempo. Inclusive, o desbanimento de Smuggler’s Copter, que gerou bastante hype na época, acabou não fazendo tanta diferença nesses arquétipos porque não era possível competir com um combo de vida infinita.
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Dois meses depois, Murders at Karlov Manor foi lançado e, com ele, outro combo dominou o Pioneer: Rakdos Vampires com Vein Ripper, um card que muitos negligenciaram na temporada de spoilers, mas da qual ganhou o Pro Tour nas mãos de Seth Manfield e mostrou como, às vezes, basta ter uma criatura grande o suficiente no terceiro turno para vencer partidas virtualmente, mesmo que ainda leve dois ou três combates para fechar o jogo.

Novamente, o Pioneer ficou de fevereiro até agosto de 2024 sem intervenções diretas, apenas com a Wizards apontando que estavam de olho no Abzan Amalia enquanto ela, junto do Rakdos Vampires, dominavam o Metagame e o polarizaram a níveis similares aos que vimos com Inverter of Truth - em alguns Challenges, Vampires chegava a ter mais de 60% de representação no Top 32. O formato estava quebrado e demorou muito para a Wizards tomar uma ação.
Agora, os resultados desse histórico turbulento aparece: Pioneer não é um formato popular. No MTGArena, ele, na sua variante da plataforma, é menos popular do que o Historic e o Timeless apesar de ter as mesmas vantagens do Standard de ser um ambiente competitivo onde jogadores podem treinar na plataforma digital para seus torneios presenciais - e sem a necessidade constante de investimento em wildcards que o Standard, pelo seu teor rotativo, oferece.
Isso não acontece de uma hora para a outra. Houve uma má gestão do formato e essa não vai ser corrigida tão cedo. E, claro, podemos apontar toda a culpa disso na própria Wizards of the Coast, mas a culpa é só dela?
Sim, essa culpa é da Wizards, mas não só dela
Podemos responsabilizar todo o mau gerenciamento dos formatos competitivos à Wizards of the Coast. Inclusive, podemos considerar como a empresa adotou uma política de manter determinados cards de uma expansão válidas por algum tempo em formatos, apesar delas apresentarem padrões problemáticos por conta da “longevidade” do produto lançado.
Alguns casos são tão extremos que requerem intervenções rápidas: Geological Appraiser e Nadu, Winged Wisdom são bons exemplos dessas situações - cards cuja vantagem no jogo é tão absurda que a manter no competitivo é uma ofensa aos formatos. Por outro lado, há casos como o de Amalia Benavides Aguirre, cujo combo apresentava padrões muito problemáticos no cenário competitivo e, ainda assim, ficou no Pioneer durante quase um ano.

Podemos responsabilizar a Wizards por essas decisões ruins que afetaram diretamente o Pioneer, tal qual podemos responsabilizá-la por demorar demais a tomar ações e/ou não lançar cards considerando a saúde do formato - elas apenas entram, fazem seu estrago e são banidas posteriormente. Se essa lógica tem sido evitada para o Standard porque quebra a confiança dos jogadores, o mesmo se aplica ao Pioneer.
Diferente do Standard, no entanto, as coisas só mudam por meio de banimentos. Se um Vein Ripper quebra o Metagame com Sorin, Imperious Bloodlord, ele permanecerá quebrando até saírem respostas mais eficientes, até a próxima coisa mais quebrada aparecer ou até a Wizards tomar uma atitude. E diferente de outros tempos, os jogadores não estão dispostos a esperar.
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Pioneer está enfraquecendo pelo Standard, e isso não é ruim
Houve um tempo em que o Standard era o formato competitivo. Se você queria jogar na sua loja local, ganhar torneios e participar de coisas maiores, era necessário jogar Standard e essa lógica é, de todos os pontos de vista, a melhor possível para o Magic competitivo.
Standard é o formato-vitrine de Magic: The Gathering. Por décadas, tudo por ele e consequentemente ele ajudou a equilibrar o ecossistema do jogo. Hoje, Modern Horizons e os produtos de Commander têm uma mecânica diferente para os formatos eternos, mas para o Pioneer, essa relação ainda se aplica e ele se beneficia do Standard ser o formato de Pro Tour e até dos RCs - mas isso não deveria deixá-lo preso no limbo. Só que deixa, e não há muito o que possa ser feito a respeito.
Se a Wizards decide cortar o Standard, ela está indo de desencontro com o seu objetivo primário de vender produtos para os jogadores. O design do jogo passa, então, a designar mais cards para impactar cenários não-rotativos, o power creep cresce e o design de Magic começa a se assemelhar com o de outros TCGs onde power creep é causa comum de banimentos e Metagames não-saudáveis em escalas trimestrais - pelo bem do ecossistema do jogo e mesmo que ele não seja mais popular no papel, Magic precisa do Standard.
Em tal ecossistema, o Pioneer exerce um papel essencial: o de encorajar jogadores a investirem no Standard porquê, no final das contas, eles podem depois usar a maioria dessas staples em outro formato. Foram-se, com os anos, o tempo onde a discrepância entre os sets mais antigos do Pioneer fazia com que o formato fosse “cards antigos + alguns cards novos”, sendo hoje uma junção mais comum de “cards novos + staples antigas”.

Basta considerarmos o Standard das últimas duas temporadas. Decks como Rakdos Midrange no Pioneer tinham mais em comum com o Standard daquela temporada do que com a de outros anos anteriores aos da criação do formato, com staples como Bloodtithe Harvester e Sheoldred, the Apocalypse.
O mesmo se aplica às atuais versões de Prowess de ambos os formatos que dependem de Heartfire Hero e Slickshot Show-Off - e em outros tiers, o Mono Black Slasher que tem crescido no Pioneer possui um combo de dois cards que, hoje, são válidas no Standard!

Enquanto também temos a gama de estratégias que perpassam essa regra, compostas basicamente por staples do Pioneer que não estão no Standard faz muitos anos, mas a relação entre o nível de poder individual dos cards mais recentes em comparação aos novos tende a criar discrepâncias menores entre os arquétipos mais recentes e os consolidados tem muitos anos, criando assim uma relação mutuamente benéfica entre quem investe no Standard e quem almeja jogar Pioneer - tanto para essa pessoa transferir de um formato para outro quanto para aquele que deseja vender seus cards após a rotação.
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A Rotação de três anos é benéfico, mas também prejudica
O Standard tem passado por uma revitalização que envolve diversas mudanças para torná-lo competitivamente relevante nas lojas locais. O principal motivo para essa necessidade é o fato do Magic Arena comportar todas as necessidades que um jogador desse formato tem enquanto é potencialmente free to play - em resumo, o formato sofre com a mesma tendência que a indústria de games tem sofrido com o gênero “as a service”, onde há mais vantagens para jogadores que dedicam algumas horas ao jogo e ganham recompensas gratuitas (nesse caso, moedas para jogar draft ou comprar boosters) do que para jogadores dispostos a gastar dinheiro em um produto como títulos AAA de video games na casa dos 60 dólares ou, nesse mesmo valor, singles e boosters de Magic: The Gathering para montar seus decks Standard.
A motivação, portanto, precisa ser externa. Aumentar a longevidade dos cards foi um primeiro passo certeiro nessa direção porque amplia a segurança dos jogadores em comprar a expansão mais recente para jogar o formato, mas não é a única insegurança do jogador - ele precisa ter um ambiente para jogar. Lojas precisam se interessar no Standard, e não se constrói esse interesse sem dar para as pessoas um motivo para jogar um formato - RCQs tem esse propósito, Pro Tour tem esse propósito.
É uma memória distante agora, mas todo jogador de Magic da dos últimos 20 anos tinha o hábito de assistir atentamente ao Pro Tour da expansão vigente - na maioria das vezes no formato Standard - para ver as novidades que os profissionais traziam com os cards do set. Arquétipos como Aristocrats e Caw-Blade nasceram originalmente dessa tendência.
Hoje, com o advento das redes, essa prática quase não existe mais porque o “segredo” de uma decklist é muito difícil de ser guardado quando o conceito de mente coletiva se ampliou ao ponto onde todos são receptores e comunicadores em massa.

Agora, em um mundo pós-pandemia em que a base do Standard ruiu porque não havia jogos presenciais e muitos decidiram migrar permanentemente ao MTGArena, a Wizards tenta reconstruir o castelo do formato e colocá-lo de volta no cerne, mas isso vem naturalmente do detrimento do Pioneer porque as medidas para manter o Standard interessante perpassam por lançamentos e capitalizar em cima deles no cenário competitivo.
Nesse universo em que um formato rotativo importa e permanece no cerne do jogo competitivo, o Pioneer deixa de disputar espaço com ele e volta às suas origens como o lugar onde jogadores de Standard podem usar os cards que rotacionam, mas passa a disputar com outro formato em uma guerra que ele não tem a menor chance de vencer.
Os Padrões de Consumo de Magic mudou
O Modern tem tudo o que o Pioneer carece em todas as esferas: uma base de jogadores solidificada durante mais de uma década, um cenário competitivo forte e atrativo para o público norte-americano, europeu e japonês, referências ou legalidade de alguns dos cards mais amados da história do jogo e, obviamente, uma categoria de produtos dedicados a ele que o tornam financeiramente lucrativo - e devido ao alto investimento financeiro para entrar no formato, jogadores são muito leais ao Modern.
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Ele também é o formato favorito para muitos criadores de conteúdo e suas controvérsias, normalmente causadas pelos sets de Horizons, são menos frequentes do que as que ocorrem com lançamentos para o Standard apesar desses também causarem ocasionais dores de cabeça no Metagame.

Nesse sentido, qual cenário não-rotativo parece mais atraente? Por algum tempo, vi diversas pessoas mencionarem que o Pioneer era um formato mais convidativo que o Modern, mas para cada um deles, havia dois que afirmavam como este era o pior formato competitivo de Magic porque lhe faltava diversidade ou porque o formato era obsoleto e parado demais.
A explicação dessa justificativa é de que a tendência de muitos arquétipos no Pioneer é ficarem no topo por muito tempo. E eles não estão errados: Izzet Phoenix é o melhor deck desde Expressive Iteration, Rakdos Midrange permaneceu no topo do Metagame por quase dois anos até sofrer uma baixa recente e Mono Green Devotion estava no topo até banirem Karn, the Great Creator - o público de Magic, que antes valorizava essa estabilidade no competitivo, já não considera esse um padrão atraente.

Entra Modern Horizons: uma série de expansões feitas exclusivamente para os formatos eternos sem afetar o Standard, cujo padrão envolve um nível de poder mais alto para impactar cenários que já tem, por natureza, uma pool de cartas muito forte. Modern Horizons 3, tal qual seu predecessor, é bem emblemático nesse processo porque ele alterou completamente o Metagame do formato: foram-se arquétipos como Rakdos Midrange, Izzet Murktide e Cascade para entrarem diversas variantes de Eldrazi, Boros Energy e, até ser banido, combos de Nadu, Winged Wisdom e controls baseados em Necrodominance ou Wrath of the Skies, sem contar a quantidade de staples de múltiplos decks inserida: Galvanic Discharge, Phlage, Titan of Fire’s Fury, Ajani, Nacatl Pariah, Psychic Frog, entre outros.
Enquanto existe uma minoria vocal que afirma como “Modern Horizons arruinou o Modern”, a maioria dos jogadores viu nas mudanças a oportunidade de se interessar novamente no formato. As pessoas que entraram nas suas lojas locais para competir em eventos de Modern ultrapassaram rapidamente as de Pioneer - aos poucos, lojas que tinham Pioneer como evento semanal passaram a substituí-lo, sob demanda, por Modern.
Jogadores deixaram uma mensagem e ela é muito clara: “Nós gostamos de novidades”. Foram-se os tempos em que ter um playset de Tarmogoyf e uma base de cards como Dark Confidant e outros para montar um Jund era sinal de segurança atemporal, mas o benefício da “rotação forçada” feita por esses sets é que os formatos se mantém frescos, divertidos e inovadores - um preço que a maioria está disposta a pagar para aproveitar Magic: The Gathering na sua essência de um jogo em constante mudança e inovação. A máquina está funcionando tão bem quanto nunca esteve.
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Universes Beyond faz de 2025 um ano importante para o Modern
Magic é um produto a ser vendido, independente dos sentimentos pessoais que os jogadores cultivam com o jogo. A escolha do aumento de temporadas Modern não foi impensada: Universes Beyond terá dois dos seus maiores lançamentos em 2025 com Final Fantasy e Marvel. Enquanto o destino do set de Marvel ainda é incerto, tudo indica que Final Fantasy terá o mesmo tratamento que Lord of the Rings, com booster sets válidos no Modern, decks de Commander e outros produtos.
Promover o Modern competitivo nesse momento é, consequentemente, promover o marketing e o hype em cima dos próximos produtos de Universes Beyond. Talvez, inclusive, torná-los junto dos sets de Horizons, uma janela de lançamento anual para formatos eternos além de ser uma decisão fortemente aprovada tanto por uma parcela significativa da comunidade geral de Magic quanto por influenciadores e criadores de conteúdo que, em sua maioria, usam o Modern como principal fonte dos seus vídeos e artigos.
Seria essa uma oportunidade de consertar as coisas?
Por fim, se não há nenhuma modalidade competitiva prevista para 2025, seria esse um bom momento para tentar corrigir o Pioneer de vez? A Wizards pode aproveitar o próximo ano para fazer correções pontuais e cirúrgicas em arquétipos para balancear o Metagame nas tentativas de tornar do formato mais popular e bem-visto pela comunidade.

Não há uma sugestão ideal de por onde começar essa mudança ou sequer se ela vai acontecer. Pioneer, como todo formato, tem arquétipos com cards problemáticos que, por conta de outros arquétipos com cards igualmente problemáticos, é colocado em cheque e seu ecossistema natural é mantido dessa maneira - mas se esse ambiente não está sendo convidativo, qual é o propósito de mantê-lo assim.
Hoje, é comprovado que o Pioneer só importa para a maioria dos jogadores durante as temporadas de RCs. No Magic Arena, ele é um dos formatos menos populares e o Magic Online não tem as melhores métricas para definir adesão nos jogos presenciais e nem planejamento para grandes eventos. Pauper, por exemplo, é um formato popular no papel e o no online e isso não o torna uma modalidade competitiva digna de um Pro Tour ou temporada de RCs.
Para tornar do Pioneer relevante, acredito que a Wizards precisará fazer uma série de banimentos ou até desabrimentos para alinhar as expectativas dele com a do formato que eles estão tentando promover em 2025, o Standard. Isso significa que alguns decks precisarão tomar um ou dois banimentos, alguns padrões de jogo precisarão ser abandonados e a empresa precisará realizar mudanças mais assertivas em um prazo curto para evitar Metagames quebrados por muito tempo.
Além disso, também será necessário nivelar o que é aceitável do que não é. Tal qual o Modern é um cenário onde se é idealizado que jogos não terminem antes do quarto turno, qual é o ideal do Pioneer? Que objetivo e padrão de jogo a Wizards quer promover com ele? Qual atrativo, além de “ser um lar para o pós-rotação”, a empresa pretende estabelecer?
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Sem esses objetivos, o Pioneer continuará falhando e não o imagino sobrevivendo para uma temporada de RCs ou Pro Tour em 2026 se não houver mudanças na filosofia do formato - seu destino será o mesmo do falecido Extended, também extinto após uma série de decisões questionáveis e cujo caixão foi fechado quando o Modern nasceu.
Agora, por receber mais suporte direcionado, o Modern pode suprimir o Pioneer e levá-lo a extinção por uma mistura entre o desinteresse do público, a falta de novidades constantes e um Metagame perpetuamente desbalanceado por qualquer novo lançamento, cabendo à Wizards - e aos jogadores e criadores de conteúdo ao darem suporte o suficiente para ele continuar vivo - decidirem qual futuro eles querem para o formato e se ele tem algum espaço nas engrenagens da máquina que compõem Magic: The Gathering no caminho para a próxima década.
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Felipe • 22/10/24
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